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Mãe vê Sara atrás das gradesA Ferver: 11.2 - 22h Por: Rute Lourenço e Duarte Roriz, enviados especiais a Algeciras, Espanha

Desesperada para ver a filha, Carla Lupi percorreu ontem mais de 600 km de carro para atenuar a angústia e visitar Sara Norte, detida há cinco dias no Centro Penitenciário de Botafuegos, em Algeciras, Espanha, por tráfico de droga. Mas, quando passar os portões cobertos de arame farpado que vedam o estabelecimento do exterior, não poderá dar o tão desejado abraço.

"A primeira visita já está autorizada. Será de 45 minutos e através de um vidro. Vai falar com a filha por telefone", conta uma das guardas de serviço da prisão, que recebeu o CM na sala fria e húmida, com bancos corridos e meia dúzia de quadros como decoração, onde familiares e amigos esperam pela visita semanal.

Mas o cenário que espera Carla Lupi, quando der de caras com a filha, não será melhor. Com a roupa que tem no corpo desde segunda-feira e sem dinheiro para comprar produtos de higiene, Sara, de 26 anos, tem contado com a solidariedade de algumas das cerca de 70 companheiras da única ala feminina.

"Ela tem direito a todas as refeições, à base de comida marroquina, mas só depois de lhe ser carregada a sua conta com dinheiro é que poderá comprar outras coisas, como um cartão de telefone. Mas aqui elas ajudam-se umas às outras", explica uma visitante assídua do centro penitenciário, que preferiu o anonimato.

Com a prima e o namorado detidos há mais de um ano nesta prisão, esta espanhola conhece bem os cantos à casa e garante que Sara irá aguentar os dias que se avizinham. "Aqui é bom. Não há baratas nem ratos, como noutros sítios. É limpo. E, como são poucas, é um ambiente calmo. O pior é o frio e a comida", diz. Com a calma de quem está habituada a lidar com o sofrimento, acrescenta: "Como se chama a miúda? Sara? Vou pedir à minha prima que cuide dela."

'FERRIES' DE MARROCOS EXAMINADOS AO RAIO-X

No porto de Algeciras é raro andar 100 metros sem que se veja um carro da polícia. Nas chegadas dos ‘ferries' de Marrocos, as bagagens são examinadas ao raio-X e pelo menos dois agentes fardados revistam os passageiros que consideram suspeitos. Foi o caso de Sara, que, acabada de chegar de Ceuta com 1 kg de haxixe, não escapou às malhas da polícia.

"Terá sido algemada e levada para os calabouços contíguos à zona da chegada", explica a familiar de um jovem que já esteve detido em Algeciras. Daí, Sara seguiu numa carrinha celular para a guarda civil, onde passou a primeira noite.

EX-ACTRIZ DIVIDE CELA

Na prisão de Botafuegos, as celas são partilhadas por duas pessoas. Ao todo, são poucos metros quadrados de espaço, onde não cabem mais do que duas camas, outras tantas secretárias e um armário. Tudo o que entra no estabelecimento é rigorosamente revistado, e as reclusas podem receber bens como roupa e livros. A prisão tem 13 alas masculinas e uma feminina, albergando cerca de 1500 reclusos.


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