Mãe de Renato apoia o filho em tribunal Carlos Castro: Paixão Fatal:
04.3 - 08h
Por: Valério Boto, Nova Iorque
A acusação de homicídio em 2º grau, atribuída por um Grande Júri ao manequim Renato Seabra, autor confesso da morte do cronista social Carlos Castro, de 65 anos, a 7 de Janeiro no Hotel InterContinental, em Nova Iorque, poderá estar entre os pontos da moção de refutação de provas que a defesa apresenta hoje em audiência preliminar no Tribunal Supremo, às 09h30 (14h30 em Lisboa). A mãe do jovem Renato, Odília Pereirinha, "será a única familiar presente na audiência", disse ao CM Diogo Silva, presidente da Associação Estrela d'Afecto.
"O pai do Renato [Joaquim Seabra] está em Portugal a dar o máximo de apoio possível a partir de cá", diz José Malta, porta-voz da família, frisando estar à espera que hoje "já possa ser apresentada alguma verdade, fruto das investigações que decorrem, que clarifique os contornos do caso".
Para além da confissão no hospital que, segundo Tony Castro, ex-procurador de Justiça de Nova Iorque, é "a que tem mais hipóteses de ser anulada", a defesa poderá ainda tentar a refutação da própria acusação de homicídio em 2º grau. "É um caso extremamente raro, mas o pedido é legítimo a qualquer advogado de defesa". David Touger, que defende o jovem, poderá ainda propor a anulação de eventuais provas factuais que a polícia tenha encontrado na posse do seu cliente no momento da detenção e da própria identificação.
"A identificação do indivíduo requer por vezes uma audiência própria na altura da detenção. Se a defesa provar que houve irregularidades na recolha de provas ou identificação, estas poderão ser alvo de anulação", diz ao CM o ex-procurador, luso-descendente.
A audiência preliminar representa o início de uma negociação de provas que poderão ser apresentadas depois em julgamento. Cabe ao juiz a decisão sobre quais são levadas a um júri que vai decidir o destino de Renato Seabra. Entretanto, continua a comunicação entre defesa e acusação, representada pela procuradora Maxine Rosenthal. "As probabilidades de que cheguem a um acordo [quanto à pena a fixar] antes do julgamento são grandes", lembrou por seu lado o advogado criminal Paul da Silva, sublinhando que apenas cinco por cento dos casos chegam a um júri.
O destino do jovem, a partir de hoje, é incerto. Segundo Steven Morello, do Departamento de Correcção de Nova Iorque, a transferência para a cadeia continua pendente do parecer dos médicos.
MÃE VAI MANDAR UMA MENSAGEM AOS APOIANTES
A mãe de Renato Seabra, Odília Pereirinha, deverá divulgar este fim-de-semana, através da família em Portugal, um comunicado/ /mensagem, no qual, "se possível e oportuno, dirá qual é o estado de saúde do filho". Na mesma ocasião, poderá "aproveitar para agradecer a todas às pessoas pela enorme corrente de apoio que formaram de forma altruísta e espontânea" para tentar ajudar a família, explicou ontem José Malta, porta-voz da família do autor confesso do homicídio de Carlos Castro.
DINHEIRO LONGE DO OBJECTIVO
Diogo Silva, presidente da Associação Estrela d'Afecto, que apoia pessoas cujos familiares se encontrem a responder em processos judiciais no estrangeiro, explicou que a instituição tem tido vários apoios. "Um pouco por todo o País há pessoas a apoiar a associação. Contudo, as verbas ainda estão longe do patamar necessário para pagar ao advogado, que leva milhares de dólares", explicou Diogo Silva.
"Nós, os amigos do Renato, gostaríamos de estar lá com ele [hoje] a apoiá-lo, mas não é fácil. Ainda não consegui falar com ele desde a detenção, mas sei pela família que o Renato está muito abatido e deprimido. Vamos aguardar para ver no que vai resultar esta audiência", indicou ao CM o presidente da Associação Estrela d'Afecto.
"PAI DE RENATO ESTÁ A AJUDAR E A SOFRER MUITO" (José Malta, porta-voz da família e cunhado do arguido, salienta apoio popular)
Correio da Manhã - É verdade que o pai de Renato contribuiu com 25 mil euros para a defesa do filho?
José Malta - Sei que o pai está a dar o máximo de apoio possível. Está a sofrer muito e tem estado a ajudar ao mais alto nível, assim como a sua família actual.
- Joaquim Seabra diz que não abandonou os filhos e sempre cumpriu as suas obrigações. Quer comentar?
- Isso são questões que me ultrapassam. São questões do foro muito privado das pessoas envolvidas, nomeadamente a dª Odília e o sr. Joaquim, e que fazem parte de um passado que é só deles.
- Quando terminam as férias da mãe do Renato e quando regressa?
- Não sei. Não está ainda nada decidido quanto a isso.
- Sente que há uma quebra da solidariedade em relação à família?
- Não, antes pelo contrário, o apoio tem sido absolutamente constante. O apoio das pessoas à família do Renato, mormente à sua mãe, tem sido absolutamente espontâneo e genuíno. Desde que aconteceu a tragédia que têm criado um enorme movimento de solidariedade.
- Como se reflecte?
- Tem vindo a incluir o envio de mensagens à família, criação de páginas nas redes sociais, assinatura de petições nacionais. Actualmente recebemos dezenas de mensagens de apoio, por telefone, e-mail e correio. Nas alturas em que há mais atenção da comunicação social, as mensagens chegam a duplicar ou a triplicar.
- Quanto dinheiro foi angariado pela associação? A família prometeu divulgar no site?
- O site ainda não tem condições técnicas para receber novos conteúdos. As pessoas estão a apoiar este projecto de forma voluntária, empregando generosamente algum tempo livre, é normal que os timings não sejam cumpridos de um dia para o outro.
TRANSFERÊNCIA PARA UMA CADEIA PODE SER ADIADA
A transferência de Renato Seabra da unidade prisional do Hospital de Bellevue, onde está há dois meses, para uma prisão convencional pode ser atrasada pelo seu advogado de defesa, através de um requerimento específico ao juiz.
REAVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA AJUDAR ARGUIDO
"O advogado pode requerer uma reavaliação psicológica do seu cliente para tentar mantê-lo na ala psiquiátrica do hospital", evitando que vá para uma das cadeias dos Estados Unidos, explicou Tony Castro, ex-procurador de Justiça de Nova Iorque.
DECISÃO SÓ SERÁ TOMADA APÓS MAIS SESSÕES
As sessões "standard e pré-julgamento" servem para a apresentação de moções. Na sessão seguinte será apresentada a resposta a essas moções e numa terceira data o juiz tomará uma decisão em relação às posições das partes.
DECLAROU-SE INOCENTE NA PRIMEIRA VEZ
Renato Seabra compareceu pela primeira vez no Supremo Tribunal de Nova Iorque a 1 de Fevereiro, onde se declarou inocente do crime de homicídio em 2.º grau. A acusação alega que "matou intencionalmente a sua vítima", facto relatado na confissão.
PORMENORES
INICIATIVAS
Segundo o presidente da Associação Estrela d'Afecto, Diogo Silva, serão formalmente divulgadas na próxima semana várias iniciativas de apoio à família levadas a cabo.
"VIVE PARA O FILHO"
A mãe de Renato, Odília Pereirinha, de 53 anos, "está psicologicamente muito em baixo. Mas tem a verdadeira força de uma mãe! Vive neste momento, mais do que nunca, para o filho", diz ao CM o genro, José Malta.
FALTA DE INFORMAÇÃO
"Apesar de não o poder ver muitas vezes [julgo que o máximo serão duas visitas por semana], a verdade é que se não estivesse em Nova Iorque não teria qualquer informação oficial sobre o Renato", salienta o porta-voz da família do jovem manequim.
NOTAS
ESTADIA: VERSÕES DIFERENTES
Vítima e homicida passavam férias juntos em Nova Iorque desde 29 de Dezembro passado. Carlos Castro dizia estar em "lua-de-mel" e Renato em trabalho a desenvolver contactos.
MORTE: ESPANCADO E CASTRADO
O relatório médico apontou estrangulamento e traumatismo violento na cabeça como causa de morte. O corpo tinha sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais.
2.º GRAU: 25 ANOS A PERPÉTUA
O homicídio em 2.º grau, o mais comum nos Estados Unidos, prevê uma pena que vai de 25 anos a prisão perpétua, permitindo o pedido de liberdade condicional ao fim dos 25 anos.
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