Renato Seabra: Acusação vai convencer júri com fotos chocantes Carlos Castro: Paixão Fatal:
07.2 - 22h
Por: Valério Boto, Nova Iorque
Fotografias chocantes do cenário do crime, onde se vê o estado em que ficou o corpo de Carlos Castro, estendido numa poça de sangue; objectos recolhidos do quarto de hotel, como o saca-rolhas cuja lâmina serviu para mutilar o cronista, ou o ecrã de televisão com que a vítima foi atingida no crânio. Tudo provas que estão neste momento a ser organizadas pela polícia - e que a procuradora Maxine Rosenthal conta exibir no julgamento de Renato Seabra com o objectivo de chocar o júri.
Tudo isto somado à prova testemunhal - hóspedes do hotel InterContinental que ouviram a violenta discussão entre os dois amantes - e, caso o advogado de defesa não a consiga anular junto do juiz, à confissão do próprio Renato feita à polícia no dia do homicídio, com todos os detalhes, faz hoje um mês.
Nas negociações que se seguem, na tentativa de acordo para a fixação de uma pena sem recurso a julgamento, o advogado David Touger vai acenar à magistrada com a hipótese de conseguir que os médicos declarem a insanidade temporária de Renato, o que implica uma pena abaixo de 25 anos. E, por isso, antecipa ao CM fonte judicial, Maxine "vai ser implacável" a negociar - fazendo ver ao advogado que, caso a estratégia deste falhe, o cliente será arrasado em tribunal. Corre sérios riscos de perpétua.
Depois de Renato se ter declarado inocente face à acusação de homicídio em 2º grau formalizada, o District Attorney de Nova Iorque, equivalente ao Ministério Público, já se prepara "para a guerra".
CONFISSÃO COM DETALHES É UM TRUNFO
As declarações prestadas por Renato à polícia de Nova Iorque no momento da detenção podem ser um importante trunfo da acusação - "fazem prova inequívoca da autoria do crime e, mais importante, pela forma como o jovem [Renato] confessou tudo a um polícia, com todos os detalhes, podem deitar por terra a teoria de perturbação mental, pelo discurso coerente que conseguiu apresentar nas suas declarações", segundo fonte judicial. Mas só a 4 de Março se saberá se a confissão é ou não válida - o juiz vai decidir perante alegações da defesa e eventual apresentação de relatórios médicos.
A confissão é importante para a acusação, até porque Renato não deverá prestar mais declarações à polícia. Pode recusar-se a falar e, caso fale, será agora sempre sob presença do advogado, que o aconselhará.
ANÁLISE EXAUSTIVA DE PROVAS
A coordenação está a cargo da procuradora Maxine Rosenthal, mas é a polícia que continua a analisar os dados recolhidos. "A procuradora dá indicações sobre o tipo de provas necessárias e como devem ser organizadas", diz fonte policial. A organização passa por catalogar provas e analisá-las "as vezes que forem necessárias", assim como ouvir de novo as testemunhas.
Há também a possibilidade de aparecerem novas provas e novas testemunhas durante a preparação da estratégia acusatória. "Às vezes, vemos um filme ou uma fotografia e descobrimos provas que não tinham sido identificadas".
SAIBA MAIS
ÁUDIO DE TESTEMUNHOS
Além de fotos, há gravações áudio de testemunhos. Em julgamento, tudo será analisado pelo júri.
25
Número mínimo de anos de cadeia que Renato arrisca por homicídio em 2.º grau. No máximo, pode apanhar prisão perpétua.
5
Percentagem dos crimes que chegam a julgamento em Nova Iorque. Maioria é resolvida com um acordo.
HOMICÍDIO FOI HÁ UM MÊS
O ‘crime de Times Square', que chocou Portugal e os nova-iorquinos, foi cometido há um mês.
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