Ana Luísa Barbosa: “Nunca gostei de grandes paixões” Confissões:
17.12 - 10h
Por: Sofia Martins Santos
Feliz e realizada por ter cumprido o objectivo de trabalhar em televisão, Ana Luísa Barbosa confessa-se uma mulher muito racional e garante viver para os desafios.
- O ‘5 Para a Meia-noite’ terminou. O que está a fazer agora?
- Estou de férias. Tenho algumas coisas a acontecer, mas para já não tenho nenhum projecto televisivo e também não quero, porque prefiro manter alguma disponibilidade para outra série do ‘5 para a Meia-noite’, que tem tudo para acontecer.
- Que outros projectos tem neste momento?
- Fui contactada no sentido de fazer a programação de um espaço em Lisboa, mas isso será mais lá para a frente. Entretanto, estou também a estruturar ideias para apresentar à RTP e a outros canais.
- Considera a possibilidade de trabalhar com outro canal?
- Não me vejo a trabalhar noutro canal generalista, pelo menos, por agora. Gosto muito de trabalhar para a RTP, porque é possível trabalhar os formatos sem ter de os desvirtuar em função de outros objectivos como as audiências. Podemos criar formatos muito bons sem pensar apenas em objectivos comerciais.
- Então a aposta que está a fazer é nos canais temáticos...
- Sim, sempre tive contacto com os canais pagos e acho que se podem criar coisas muito giras. Trabalhei na MTV e sei que é um mundo que se pode explorar. De qualquer forma, as minhas propostas ainda estão todas num estado muito embrionário.
- Está de férias por tempo indeterminado?
- Sim, porque estarei de férias até me aparecer alguma coisa. Vou aproveitar esta altura para fazer duas viagens que quero muito, que é a Punta Cana [República Dominicana] e a Berlim [Alemanha]. Esta pausa é muito importante para aproveitar para me organizar, coisa que não fiz enquanto estive no ‘5 Para a Meia-noite’, porque a minha entrada foi muito repentina.
- Como aconteceu a sua mudança da MTV para a RTP?
- Fizeram um casting e fui escolhida. Sabia que não poderia continuar a trabalhar com a MTV e fiz a minha escolha. Já estava na altura de dar um salto e sinto que aconteceu em boa altura, porque, acima de tudo, foi um salto criativo. Estava na MTV já há quatro anos e precisava de um novo desafio.
- No fundo, já estava à procura de novas possibilidades...
- Sim, até porque, apesar de ter gostado muito das experiências que tive na MTV, já estava mesmo a precisar de um outro tipo de estímulo.
- Sentiu dificuldade na adaptação?
- Sabia que durante quatro meses ia viver inteiramente para o programa, pois precisava de acompanhar algo que já tinha o seu próprio ritmo. Só me foi possível abraçar um desafio assim porque me mentalizei que é necessário viver um dia de cada vez.
- O que foi mais difícil?
- Sem dúvida que foi escolher pessoas para levar ao programa. É sempre uma grande responsabilidade, mas, para mim, havia tanto entusiasmo que as coisas foram acontecendo naturalmente.
- Como é que apareceu a televisão na sua vida?
- A televisão aparece porque desde pequena que sou viciada em ver televisão. E quando trabalhei como modelo, comecei a ter algum contacto com as câmaras e apaixonei-me por este mundo. Adorava ver como as coisas funcionavam.
- De que forma passa de modelo a apresentadora da MTV?
- Desde sempre achei que trabalhar na MTV ia ser uma coisa que ia gostar muito de fazer, porque exigia uma grande capacidade de comunicar, numa altura em que eu já o fazia de uma forma muito mais eficiente.
- Quando era mais nova tinha dificuldade em comunicar?
- Sim, era muito calada e muito ‘bicho do mato’. Agora não tem mesmo nada a ver.
- Portanto, não imaginava que o seu futuro fosse a apresentação?
- Não, apesar de muitas vezes ter sonhado com isso, porque era isto que queria. Na altura, para mim, a televisão era um mundo muito distante, nem que fosse porque vivia em Vila Nova de Poiares, onde não acontecia nada.
- Estudou Direito...
- Foi o trajecto que me pareceu melhor para conseguir ter alguma coisa na vida. De qualquer forma, todo o tempo que estive a estudar, estava a trabalhar ao mesmo tempo e como o fazia em moda, nunca deixei o aspecto mais artístico de lado.
- Então, exercer advocacia nunca foi um sonho?
- Estudar Direito era uma coisa que queria fazer na altura porque era uma área que me interessava, mas também por uma questão prática que eram as saídas profissionais. Essas saídas profissionais eram as mesmas que as de Comunicação Social mas tinha a vantagem de ter mais algumas.
- Como é que os seus pais reagiram a esta sua paixão pela televisão?
- A minha mãe adora, mas é a primeira a dizer para ter cuidado. Quando decidi sair da MTV, a minha mãe foi a primeira a dizer para pensar bem no que estava a fazer, mas sempre acreditei que para se conseguir alguma coisa é preciso ter a capacidade de arriscar.
- E o seu pai?
- Nem sei muito bem o que ele acha disto. Penso que ele até acha piada, mas não é pessoa de expressar muito o que pensa e o que sente. De qualquer forma, sei que os meus pais me apoiam e que sabem que não sou de me atirar de cabeça para um projecto sabendo que a hipótese de as coisas não correrem bem é enorme.
- Tem alguém da sua família ligada à televisão?
- Não, sou a única na família. A minha família acha giro, mas continuo a ser a mesma pessoa e eles sabem disso. Acompanham o meu trabalho, mas aceitam que é como os outros.
- É uma forma de tentarem que não se deixe deslumbrar?
- Sim, mas este cuidado acontece desde pequena. Lembro-me que sempre que recebia três elogios, eles eram seguidos por uma chamada de atenção para que nunca perdesse a noção das coisas. Muitas vezes, isso acontecia para eu perceber que podia ser gira, mas que isso não era tudo e, por isso, tenho muita noção das coisas.
- Nunca deu muita importância à sua imagem?
- Tentei sempre que as coisas não fossem conquistadas apenas por causa da minha imagem. Se hoje em dia as pessoas podem trabalhar em televisão apenas porque são bonitas, não significa que eu queira que isso me aconteça. Acho que tem de haver sempre alguma coisa além disso.
- O que conquista tem de ser resultado do seu esforço...
- Sim, exactamente. Mas de qualquer forma não é fácil deixar-me deslumbrar, porque não estou num ponto da minha carreira em que seja possível achar que está tudo conquistado. As coisas sempre me deram muito trabalho a conseguir e sinto que ainda me falta muita coisa.
- Mudou-se para Lisboa com 15 anos. Como foi essa fase?
- Vim morar com os meus primos, que têm a idade dos meus pais e com quem eu costumava passar as férias do Verão. No fundo, como já havia uma relação, não me custou muito.
- A ideia foi sua?
- Não, a iniciativa foi dos meus pais e confesso que foi muito bom para mim. Foi uma espécie de recomeço. Lembro-me de sentir um grande entusiasmo por poder conhecer coisas e pessoas diferentes. Foi, sem dúvida, uma fase que me mudou bastante.
- Mora sozinha?
- Sim, e o facto de deixar de viver com os meus pais aos 15 anos fez com que tenha a capacidade de ver que se quero uma coisa, tenho de lutar para consegui-la, porque ninguém me vai dar nada.
- Como foi lidar com as saudades?
- Houve alturas mais complicadas, mas como estava habituada a passar as férias de Verão longe dos meus pais, aprendi desde cedo a gerir esse tipo de sentimentos.
- É uma pessoa de grandes paixões?
- Gostava de dizer que sim, mas não sei se me permito a isso, porque sou muito racional. Não gosto de viver de rotinas, mas viver do irracional também me faz muita confusão. Nunca gostei de grandes paixões, porque o fogo arde até não haver mais nada. Prefiro um sentimento que possa ter alguma continuidade.
- Portanto, não se apaixona facilmente?
- Não, nem pensar. Sou mesmo muito selectiva.
- Pode dizer-se que se considera realizada com o que já conquistou?
- Sim, cheguei onde quero estar e isso faz com que me sinta realizada e feliz.
- Como lida com o medo?
- O medo é bom, porque faz com que tenhamos a capacidade de estarmos mais atentos ao que nos rodeia. O importante é que não nos paralise, deve ser usado a nosso favor e não contra nós.
- Há alguma coisa que a deixe orgulhosa?
- O que me deixa orgulhosa são as minhas conquistas. Vim de um meio muito pequeno e de poucas posses, mas o meu trabalho tem feito com que as minhas metas sejam alcançadas.
- Considera-se uma pessoa fácil de afectos?
- Sou muito bem-disposta e tento ser simpática para toda a gente, mas tenho muita dificuldade em dar confiança, por isso tenho muitos conhecidos, mas poucos amigos. l
INTIMIDADES
- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
- Alguém que admirasse muito.
- Quem é para si o homem mais sexy do Mundo?
- O Johnny Depp [actor] tem qualquer coisa que o torna muito atraente.
- O que não suporta no sexo oposto?
- A capacidade de serem demasiado simples.
- Qual o seu maior vício?
- Os chocolates.
- Qual foi o último livro que leu?
- ‘Os Portugueses’, de Barry Hatton, e achei muito bom.
- O filme da sua vida?
- O meu.
- Cidade preferida?
- Lisboa, sem dúvida.
- Um desejo?
- Que as coisas melhorem.
- Complete. A minha vida é...
- Muito positiva.
PERFIL
Ana Luísa Barbosa nasceu a 10 de Fevereiro de 1982, em Coimbra. Com apenas 15 anos mudou-se para Lisboa, onde começou a trabalhar como modelo. Apesar de ter tirado o curso de Direito, continuou a lutar pelo sonho da apresentação e, depois de quatro anos na MTV, conseguiu ser um dos rostos de ‘5 Para a Meia-noite’ (RTP 2).