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Mariana Monteiro: “Vida sem amor não faz sentido”Confissões: 28.1 - 10h Por: Vânia Nunes

Dedicada às gravações da novela ‘Doce Tentação', da TVI, Mariana Monteiro garante que a profissão não está acima de tudo e anseia viver um grande romance. A maternidade é outro dos seus desejos - "nasci para ser mãe". Para já, dá o seu melhor aos amigos e à família.

- A personagem ‘Esperança', que interpreta em ‘Doce Tentação', tem muito de si?

- Tem a alegria, a espontaneidade, a ingenuidade, apesar de não ser ao mesmo nível, e o lado infantil.

- Preserva um lado infantil?

- Bastante. Tem a ver com a questão de estar sempre a rir, de achar graça a tudo e de acreditar em muitas coisas. Ainda não perdi a esperança num conto de fadas.

- Isso significa que não teve muitas desilusões?

- Sim, isso talvez ajude.

- A novela é muito fantasiosa, inspirada no universo Disney. É por isso que a está a encantar tanto?

- Sim, quase que dá vontade de as pessoas voltarem a acreditar em coisas mais primárias, como viver um amor, uma paixão verdadeira, coisas que se tivermos de transportar para uma novela mais realista já não são tão possíveis.

- Interessa-se pelas audiências?

- O que me interessa é gostar do papel que estou a desempenhar e do ambiente de trabalho, mas isto é um trabalho virado para o público e é muito importante saber se está a ser ou não reconhecido; eu trabalho para um público e quero que goste.

- Este projecto tem influenciado o seu humor?

- Sou naturalmente bem humorada, confesso que emprestei isso à ‘Esperança'. Mas sem dúvida que ajuda. Se estivesse a gravar um personagem mais possessivo e mau, seria diferente.

- Sabe bem fazer uma heroína?

- Tenho trabalhado mais nesta base e sabe bem. É um desafio enorme. Como já representei estes papéis, tenho de tentar mostrar coisas novas para oferecer ao público.

- Nunca fez de vilã...

- Não, mas quando digo que quero fazer coisas diferentes não tem de ser necessariamente a vilã. Há muita coisa que se pode explorar.

- Tem a vantagem de ser sempre acarinhada na rua...

- Sim, é uma vantagem fazer de heroína. Ainda não fui agredida, pelo contrário, simpatizam sempre comigo.

- O ritmo intenso das gravações é a parte negativa de ser protagonista?

- Não. Penso que há fases da minha vida em que tenho de me dedicar mais ao trabalho.

- Pondera tentar a sua sorte fora de Portugal?

- Gostava muito de emigrar, estudar, ter uma experiência nova de vida. É muito importante esse tipo de vivências, faz uma pessoa crescer e aprender.

- E ia sozinha?

- Pois... sozinha não consigo. Não tenho esse espírito tão aventureiro. Com mais uma amiga gostava, com muita gente não, porque é capaz de dar confusão.

- Começou a trabalhar cedo. Arrepende-se de algum rumo que tenha tomado?

- Não. Às vezes já parei para pensar se perdi algumas coisas, mas acredito que nada acontece por acaso. Não me arrependo de nada. Haverá uma altura para tudo. Sinto que era este o meu percurso, que não estava destinada a fazer outra coisa.

- Tem-se privado dos seus hobbies?

- Tento alimentá-los, nem que seja menos vezes. Vejo filmes em casa, ler é difícil, teatro também tenho ido muito pouco.

- Os seus amigos cobram a sua ausência?

- Coitados dos meus amigos. Realmente são espectaculares. As coisas de que me orgulho mais são a minha família e os meus amigos, que conseguem compreender a minha falta de tempo. Podemos ficar três, quatro dias sem falar e, de repente, volto e é tudo normal.

- E para namorar, tem tido tempo?

- Não gosto de falar nisso. Estou bem como estou.

- Gosta de estar apaixonada?

- Para mim não faz sentido nenhum viver sem amor. Não sou do tipo de pessoa que coloca a carreira à frente de tudo, de todo. Para mim é muito mais importante o meu equilíbrio emocional, e sim, acho que o amor é das coisas mais importantes da vida, em todas as suas formas, pela família, pelos amigos ou por alguém especial.

- Há dois anos disse que as pessoas a pressionavam para casar. Mantém-se a pressão?

- Sim, as pessoas falam nisso. Não há uma idade certa para casar e ter filhos. Não tenho de arranjar alguém obrigatoriamente. De facto, acho que há tempo para tudo e as coisas quando tiverem de acontecer, acontecerão.

- Também é cedo para pensar na maternidade?

- É muito cedo. Apetece-me muito viajar primeiro. Tenho muita vontade de ser mãe um dia, e acho que nasci para ser mãe, mas também não gosto de falar sobre isso porque não adivinho o futuro. Só o tempo o dirá.

- Tem vontade de estudar?

- Fiquei com o 12º ano, coisa que quero modificar já. É uma decisão que me anda a perseguir. Há dois anos que começo projectos com algum nervosismo, porque tenho de adiar mais uma vez. Queria parar um ano para estudar e depois tentar conciliar o curso com o trabalho.

- Que curso escolheria?

- É isso que pondero muito. Por um lado gostava de um desafio diferente, noutra área, por outro gostava de ter mais formação enquanto actriz.

- Fora da representação, que áreas lhe interessam?

- Tenho bases de Economia, não posso fugir muito a isso. Tenho uma paixão por Astronomia, mas não posso seguir porque não tenho as bases de Física e Química necessárias.

- A decisão de assinar um contrato de exclusividade foi muito ponderada?

- Sim, é como tudo. Tem prós e contras. Até ao momento vi mais prós e aceitei. O mais positivo é continuar a ter projectos e também é importante para me ajudar a ter dinheiro para a formação.

- Como é que vê a crise financeira que o País atravessa?

- É assustador, acho que o nosso País tem de começar a perceber que uma das coisas mais importantes numa sociedade é a cultura. Temos tantas pessoas com bons projectos e iniciativas que me faz confusão que não haja apoios e que se não se perceba que a cultura não pode ser posta de lado.

- E em termos pessoais, como é que a afecta?

- A minha profissão é, por norma, muito instável e numa altura de crise ainda mais. Sinto-me realmente privilegiada e fico muito triste por haver colegas que não conseguem estar a trabalhar. É muito assustadora essa realidade. Temos de tentar combater isso.

- Considera que é bem remunerada?

- Tendo em conta as condições em que o País está e a minha idade sinto-me compensada por aquilo que dou.

- Faz uma boa gestão do dinheiro?

- Lá está, tive sorte em ter andado em Economia. O meu agrupamento deu-me algumas noções básicas de poupança e considero que faço uma boa gestão daquilo que ganho.

- Qual é o papel que a moda e a publicidade ocupam na sua vida?

- Neste momento são uma consequência. Não sou modelo. Sempre que posso vou fazendo campanhas por causa da minha visibilidade e exposição pública. Sei que ser chamada para representar uma marca é, de certa forma, o reconhecimento do meu trabalho.

- Já posou para uma revista masculina. Voltava a repetir a experiência?

- Estava a começar. Fi-lo talvez por falta de aconselhamento, não partilhei bem a informação com os meus pais. Isso era uma coisa que eliminaria.

- Sente-se confortável com a sua imagem?

- Há dias em que gosto mais, outros em que gosto menos de mim, mas sinto-me confortável. Acho importante sentirmo-nos bem como somos.

- Já houve alguma situação desagradável com fãs?

- Não, que salte à vista não. As pessoas são muito afáveis comigo.

- Se não fosse actriz, o que gostaria de ser neste momento?

- Estava na NASA. Na altura, se tivesse seguido Ciências, poderia acontecer. Nunca soube bem o que queria ser. Mas teria tentado obter a melhor média possível para entrar na NASA.

- Porquê esse fascínio?

- Vem desde sempre. Não há explicação para muita coisa na Astronomia. Para mim, das coisas mais fascinantes é percebermos o Universo, o mistério da vida.

- Também se interessa pelos signos?

- Nem tanto, mas sei as características. Sou Escorpião e dizem que são vingativos, mas eu não sou.

- Qual é a característica que a marca?

- Talvez seja um bocadinho possessiva com as pessoas de que gosto.

- Preserva os amigos de infância?

- Tenho alguns amigos que o são desde o infantário. Adoro-os. Este ano conseguiram vir aos meus anos e eu fiquei excitadíssima. Não consigo falar com eles todos os dias, mas são os amigos da vida. Sei que se precisar de alguma coisa, estão lá para mim e eu para eles. São mesmo muito queridos comigo, nunca me cobraram nada.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Marcelo Rebelo de Sousa, acho-o superinteressante.

- Quem é para si o homem mais sexy?

- O Johnny Depp.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Não gosto de homens convencidos.

- Qual é o seu maior vício?

- Falo muito [risos].

- Qual foi o último livro que leu?

- ‘O Céu Existe Mesmo', de Lynn Vincent.

- O filme da sua vida?

- Adorei o ‘Cinema Paraíso' e ‘Requiem for a Dream'.

- Cidade preferida?

- Barcelona, mas também adoro Paris. Fascinam-me.

- Um desejo?

- Ser feliz.

- Complete. A minha vida é...

- Mais do que aquilo que eu imaginei.

PERFIL

Mariana Monteiro tem 23 anos e estreou-se em televisão em 2005 com a série ‘Morangos com Açúcar'. Seguiram-se as novelas ‘Doce Fugitiva', ‘Fascínios', ‘Deixa que te Leve' e ‘Espírito Indomável', todas da estação de Queluz. Actualmente dá vida a ‘Esperança' em ‘Doce Tentação'. Também integrou o elenco da série ‘Equador' e do filme ‘Conexão'.



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