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Marta Cardoso: “Nunca tive medo de que a fama acabasse”Confissões: 19.11 - 10h Por: Sofia Martins Santos

Dedicada à formação, Marta Cardoso, ex-concorrente de ‘Big Brother’, garante viver uma vida feliz. Adepta de reality shows, admite que gosta de testar os seus limites.

- Acabou de se lançar num projecto pessoal...

- É verdade, agora estou dedicada à minha Fame, uma escola que pretende formar novos talentos.

- Era um sonho?

- Este foi um projecto que concebi durante mais ou menos três anos e é algo que queria muito fazer.

- Como é que surgiu esta ideia?

- Dou aulas e deparei com algumas lacunas no ensino ligado à televisão. As pessoas, muitas vezes, tiram os cursos e ficam um pouco desorientadas. Senti que faltava mais qualquer coisa. O projecto Fame, no fundo, nasceu das conclusões que tirei ao tentar meter-me na pele dos meus alunos.

- Como vão funcionar as coisas na prática?

- Fundamentalmente, os nossos cursos têm uma coisa que os diferencia dos outros todos que é o facto de não haver um plano de curso. Os alunos entram com um papel em branco e com uma caneta porque a intenção é serem eles a criar. Temos cursos de apresentadores de televisão, teatro de revista e cinema.

- Participou na primeira edição do ‘Big Brother’ (TVI). Sente que o programa lhe abriu portas?

- Sou a maior fã do ‘Big Brother’ e também tenho noção de que as portas estão lá, mas o que nos distingue é o que conseguimos fazer e a forma como o fazemos. Não consigo imaginar a minha vida sem o ‘Big Brother’, porque o programa aconteceu quando ainda estava em início de vida e defendo que não podia ter acontecido numa altura mais certa.

- Houve portas que se abriram, mas certamente também encontrou partes negativas...

- Acho que aproveitei muito bem aquilo que me foi dado, mas este abrir de portas é um pau de dois bicos porque há novas possibilidades, mas também se torna difícil combater o estigma dos reality shows. Apesar de não ser da mesma forma que um anónimo, luta-se. Mas é a luta contra o estigma e contra a expectativa que têm em relação a nós. Primeiro surge a oportunidade, mas depois fica-se com a bomba nas mãos porque esperam algo muito concreto da nossa parte.

- Sentiu essa pressão?

- Senti alguma pressão, mas sempre esperei que as coisas acontecessem a seu tempo. Tinha a noção de que havia muitas coisas que não estavam ao meu alcance. Sempre preferi fazer menos mas fazer bem feito. Nunca tive medo de que a fama acabasse e, por isso, não senti a necessidade de agarrar todas as oportunidades sem pensar bem nelas. As coisas são aquilo que têm de ser.

- Foi difícil manter essa postura face às propostas que iam surgindo?

- Sempre tive uma atitude muito coerente face à vida. Para aceitar o que quer que fosse, tinha de sentir que estava à altura da oportunidade que tinha aparecido. Só aceitava projectos quando pensava que podia corresponder à expectativa. As coisas na minha vida profissional sempre aconteceram muito devagar.

- Pode dizer-se que o truque é perceber que as coisas acontecem a seu tempo?

- Sim, acabo por achar que a minha paciência e perseverança foram sempre muito importantes na minha vida. Sabia que ia ter de passar pelas mesmas fases e pelas mesmas etapas que toda a gente. O ‘Big Brother’ foi uma oportunidade e não sei se estaria onde estou se não tivesse passado por aquela experiência. Não quero ter nunca de pensar que tive uma oportunidade e a desperdicei. Agora, se chego onde quero mais depressa ou mais devagar... apenas acredito que chego à medida do que é possível.

- Voltava a concorrer?

- Na minha situação actual, não. Não voltava a concorrer por vários motivos e não tem a ver com as alterações do formato. Se tivesse 20 anos e fosse a mesma Marta que na altura concorreu ao ‘Big Brother’, não sei, mas creio que não. Na altura, se soubesse o que era o concurso não teria concorrido. Fui às cegas e acho que assim é que faz sentido.

- Acha que já se conhecer o concurso retira significado à experiência?

- Quanto mais informação temos sobre as coisas mais condicionados estamos. Não conseguimos ser indiferentes ao que sabemos. É o facto de não saber o que são as coisas que me permite vivê-las da forma como o tenho feito. Este é um jogo muito difícil e tem vindo a tornar-se muito complicado, porque se têm criado expectativas sobre o pós-concurso.

- Acha que os concorrentes da ‘Casa dos Segredos’ estão apenas concentrados nas oportunidades que podem ter depois do programa?

- Estas experiências não se podem viver com a cabeça no amanhã. Estes concorrentes estão sempre a pensar o que têm de fazer aqui para quando saírem conseguirem chegar ali. Aquilo que era um fim em si mesmo, que era a experiência, passou a ser um meio para atingir um objectivo.

- Acha que isso os limita?

- Sim, estão limitados a uma série de preconceitos e até a uma série de coisas que meteram na cabeça porque outros lhes disseram ou porque viram acontecer a outros ex-concorrentes. Aquilo é uma prisão tão grande para eles que torna tudo muito mais difícil.

- Diz que a atitude destes concorrentes torna tudo mais difícil. Porquê?

- O jogo já é muito difícil e com todas estas barreiras ainda pior. Como as regras ali são assim, as pessoas têm tendência a mostrar o que têm de pior. A história está toda centrada no que as pessoas têm de pior, nas mentiras e na manipulação.

- O que foi mais difícil para si na altura?

- O período pós-concurso. É mesmo muito difícil e naquela altura foi muito complicado. Levei mais ou menos dois meses a encarar as saídas à rua como algo normal. Ir ao supermercado ou ter de parar no trânsito porque me estavam a tirar fotografias, confesso que me fez confusão porque tinha vinte e poucos anos e não conhecia nada daquilo.

- E o que a ajudou a ultrapassar essa fase mais complicada?

- Tive uma grande ajuda, que foi a pessoa com quem estava a construir uma relação [Marco Borges, também ex-concorrente] saber exactamente o que eu estava a passar. Ele tinha dificuldades diferentes das minhas e também outras facilidades, mas em conjunto foi mais fácil passar pelas coisas.

- O que mudou em si nestes 11 anos?

- Fisicamente estou diferente, mas continuo a usar os mesmos termos e a fazer algumas coisas que fazia na altura. Consigo reconhecer em mim a mesma Marta da altura.

- Fala-se muito da concorrente Cátia e da possibilidade de o que ela mostra ser uma personagem. Como já passou pela experiência, o que acha?

- Podem eventualmente criar personagens mas isso é quase impossível de fazer. É algo que dura muito pouco tempo e dá muito trabalho. Além disso, é um pau de dois bicos porque é como a mentira, que tem perna curta. Não acredito que a Cátia seja uma personagem, se for é desde que nasceu.

- Quem é para si o concorrente mais forte da ‘Casa’?

- Acho o Marco um concorrente muito forte. Mas os resultados vão sempre depender das nomeações e de quem fica nomeado com quem.

- O que acha das relações e das cenas de sexo desta edição?

- Estar ali é viver aquilo de forma muito intensa e é possível existirem relações, mas esta é uma geração diferente e com menos preconceitos. Encaram o sexo como a coisa mais natural do mundo.

- Ter sexo dentro da casa pode ser uma estratégia?

- Não vejo como estratégia. Acho é que depois de acontecer tentam transformar aquilo em algo a favor e não contra. Falamos de uma geração que para fazer sexo não tem de se apaixonar.

- Já entrou em vários reality shows. É uma forma de se descobrir a si mesma?

- Sinto que me desafio e me conheço melhor todos os dias. Estes desafios, como os ‘Perdidos na Tribo’ por exemplo, fazem com que os nossos limites sejam mesmo testados. Nunca pensei um dia passar fome. Chorei mais naqueles dias do que nos últimos anos.

- Quais são as suas principais características?

- Tenho ideias muito vincadas e acho que isso é que me permite ser uma pessoa coerente. De qualquer forma, sou uma pessoa que tenta ser flexível e não fechar-me a novas ideias.

- É ambiciosa?

- Sim, mas é sem dúvida uma ambição muito controlada. Sinto que não preciso de mais do que aquilo que já tenho.

- Sente-se uma mulher amada?

- Sem dúvida. Tenho bons amigos, uma família muito próxima e um filho fantástico [Marco, de nove anos].

- Considera-se ‘mãe-galinha’?

- Não, porque sei que não há nada que possa ensinar ao meu filho que a própria vida não lhe ensine. Quanto mais o proteger, menos ele vai estar preparado para a vida.

- É uma mulher de grandes paixões?

- No trabalho sim, mas nas relações sou uma apaixonada muito contida.

- É romântica?

- Sou, muito mesmo.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Não gosto de jantares a dois.

- Quem é para si o homem mais sexy do Mundo?

- O meu pai [João Cardoso].

- O que não suporta no sexo oposto?

- O mesmo que não gosto no meu, de pessoas dissimuladas.

- Qual é o seu maior vício?

- Fumar.

- Qual foi o último livro que leu?

- O que escrevi sobre o ‘Big Brother’.

- O filme da sua vida?

- O ‘Dirty Dancing’, porque me faz sonhar.

- Cidade preferida?

- Amesterdão [Holanda].

- Um desejo?

- Que tudo continue a correr bem.

- Complete. A minha vida é...

- Um livro.

PERFIL

Marta Cardoso tem 34 anos e foi uma das concorrentes do primeiro ‘Big Brother’ (TVI). Foi casada com o também ex-concorrente Marco Borges, com quem tem um filho, Marco, de nove anos. Actualmente, está dedicada à formação de novos talentos na sua escola, a Fame, e é repórter da ‘Casa dos Segredos’.



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