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Nuno Janeiro: "Passei a dar outro significado à vida"Confissões: 11.2 - 10h Por: Vânia Nunes

Depois da morte trágica da irmã, em Setembro do ano passado, Nuno Janeiro tem valorizado mais o tempo que passa junto das pessoas de quem gosta. Preparado para regressar ao trabalho, o actor garante que tem vários projectos para este ano. Entretanto, continua solteiro e à espera de encontrar a mulher que lhe dê "muito carinho".

- O seu regresso à televisão está marcado para breve?

- Ainda não posso falar, só quando estiver tudo acertado.

- Será ainda este ano?

- Sim, tenho mais do que um projecto.

- É verdade que lhe foi proposto um contrato de exclusividade pela SIC?

- Que eu tenha conhecimento, não.

- Se isso acontecer, aceita?

- Eu acredito que não estando agarrado a um contrato posso fazer mais coisas. No ano passado fiz uma série de coisas. Isso permite crescer. Se calhar, se tivesse um contrato iria ficar preso a um certo registo. A minha prioridade é fazer coisas que ainda não fiz e que nem sei se sou capaz de fazer.

- A crise que o panorama artístico enfrenta não o leva a mudar de opinião?

- Acredito que o contrato é sempre uma segurança, mas tinha de ser uma decisão muito ponderada. A solução é ir fazendo um pé-de-meia.

- A instabilidade financeira é a parte mais negativa da sua profissão?

- Isso acontece nesta profissão e em todas. Nunca sabemos o dia de amanhã. Mesmo as pessoas que têm contratos podem ser facilmente despedidas. A insegurança está em todo o lado. Sinto-me bem como estou.

- Há muitos actores que investem em negócios, como alternativa à representação. Já pensou nisso?

- Ainda não ponderei, mas se tiver de ir trabalhar para outro lado qualquer vou com certeza. Não tenho medo de trabalhar.

- Gostava de voltar a estudar?

- Sim, claro. Tive algum tempo parado por forças maiores [a irmã, Ana Rita Janeiro, morreu num acidente de viação em Setembro do ano passado], mas tenho estado a fazer formação.

- Sentiu essa necessidade?

- Senti. Achei que devia adquirir mais ferramentas de trabalho em alguns aspectos em que era mais fraco. Senti necessidade de ir buscar ajuda. Sei onde é que tenho dificuldades. Tenho tido aulas particulares.

- Além destas aulas, o que fez durante a pausa da televisão?

- Essencialmente, estive com a família e com amigos.

- Foi essencial parar nesta fase ou o trabalho podia ter sido um refúgio?

- Ainda bem que esta pausa apareceu, porque não sei se iria conseguir lidar com o que aconteceu e ainda trabalhar. Houve ali uma altura em que não sabia se ia ter forças.

- Sente-se o pilar da família nesta altura?

- Somos todos os pilares uns dos outros. Quando um está em baixo, o outro dá a força e vice-versa. Apoiamo-nos muito.

- O tempo tem ajudado a atenuar a dor?

- Não, traz muitas saudades. Uma coisa é ter saudades e saber que posso ver a pessoa, neste caso sei que nunca mais a vou ver. A dor ainda é maior.

- Tentou procurar explicações para o que aconteceu?

- Não. São situações que acontecem todos os dias. O problema aqui é que nunca esperamos que nos aconteça a nós.

- Tornou-se uma pessoa mais amarga?

- Não. Acho que passei a dar outro significado à vida. Percebi que temos de aproveitar mais, estar com quem gostamos e não perdermos tempo. Isto é tudo muito passageiro.

- Já se sente preparado para voltar ao trabalho?

- Completamente.

- Os seus amigos tiveram um papel importante?

- Muito. Foram eles que me deram a mão. Houve ali uma parte em que me isolei muito e me fechei no meu mundinho. Foram eles que me puxaram e me obrigaram a acordar para a vida. Só tenho a agradecer-lhes.

- E o carinho dos fãs?

- É bom quando as pessoas nos dão uma palavra amiga e felizmente sempre tive o carinho deles. Mesmo quando faço aqueles papéis mais ruins, abordam-me de forma carinhosa.

- Voltando ao trabalho, este ano também se irá estrear no teatro...

- É verdade, ainda está tudo muito no papel. Em princípio, será para Abril.

- Está entusiasmado?

- O teatro é importante porque dá mais ‘estaleca’. Nas novelas podemos fazer de novo, ali não dá. Apresentaram-me essa proposta e decidi atirar-me de cabeça.

- Desde o final de ‘Mar de Paixão’ não surgiram mais projectos. Está magoado com a TVI?

- Não há mágoa. Na altura em que acabei surgiu uma proposta da SIC para fazer ‘A Família Mata’ e achei que devia aproveitar. Não tenho mágoa nenhuma.

- Neste momento está mais ligado à SIC?

- Sou freelancer. Isso permite abraçar novos projectos. Sinto-me confortável assim.

- Tem vontade de fazer alguma personagem?

- Gostava de fazer um louco, esquizofrénico.

- Que papel tem a moda na sua vida?

- Faço moda sempre que aparece um trabalho. Gosto muito.

- Foi onde começou a sua carreira...

- Sim, comecei aos 25 anos. Costuma-se dizer que quem começa tarde acaba tarde e é isso que quero. Gosto do impacto quando entro na passerelle, do nervoso miudinho.

- Confirma que o mundo da moda é muito competitivo?

- Dizem muita coisa do mundo da moda, mas infelizmente em qualquer trabalho há competição e pessoas que passam por cima umas das outras. No meu caso, nunca senti. Sempre fui muito respeitado pelos colegas.

- Costuma ser assediado na rua?

- Quando isso acontece, começo-me a rir. As pessoas sempre foram carinhosas comigo. Têm sempre uma palavra amiga e uma piada.

- Já se sentiu incomodado?

- Sim, na altura dos ‘Morangos’, quando fiz de paraplégico. Havia pessoas que acreditavam mesmo que eu andava de cadeira de rodas e quando me viam a andar comentavam e chamavam-me de mentiroso.

- E as mulheres, costumam meter-se consigo?

- Não é nada de extraordinário. Há sempre muito respeito.

- Gosta de saber o que é que o público pensa sobre si?

- Gosto e acho importante saber como é que reagem ao meu trabalho.

- Costuma pesquisar o seu nome no Google?

- Não vou pesquisar de propósito. A minha vida tem sido sempre às claras, não tenho nada a esconder por isso acho que não há nada de que tenha de ir à procura.

- Preserva os amigos de infância?

- Sim. Quando se trabalha 12 horas por dia é difícil arranjar tempo para fazer o que quer que seja, mas há sempre um bocadinho para estarmos com quem gostamos.

- Quais são os seus hobbies?

- Vou ao teatro e ao cinema, gosto muito de passear sem destino e também gosto de não fazer nada [risos].

- E também não prescinde de ir ao ginásio...

- Se puder ir todos os dias, vou. Sinto-me bem quando vou ao ginásio. A parte estética vem por arrasto. Acho que todas as pessoas deviam fazer desporto para limpar a alma. É um castigo para ir, mas quando saio sabe muito bem.

- Continua solteiro?

- Sim, continuo. Não procuro essas coisas. Quando tiver de aparecer alguém, aparece.

- É muito exigente com as mulheres?

- Não, desde que me tratem bem fico contente.

- Há alguma mulher ideal?

- Em termos de personalidade sim, mas fisicamente não. Para mim, a mulher tem de ser atenciosa, amiga e carinhosa. Gosto dessas coisas melosas e de muito carinho.

- É romântico...

- Tem dias.

- O facto de o seu noivado com a Sofia Ribeiro ter falhado fê-lo mudar a sua visão sobre as relações?

- As coisas começam e acabam. Como diz um amigo meu: "Para a frente é que é Lisboa".

- Ficou a amizade?

- Sim, claro.

- Ela está a atravessar uma fase difícil no seu casamento. Têm falado?

- Mantenho uma relação de amizade com ela, mas não quero falar sobre isso. Já não faz sentido.

- Casar faz parte dos seus projectos de vida?

- Não acho muito importante casar, mas ter uma família sim. Ainda hei-de ter, obviamente. Quero ter filhos, mas na altura certa. Gosto que as coisas aconteçam por si.

- Como é que é o Nuno a cuidar da casa?

- Safo-me bem, cozinhar é que nem tanto, mas invento umas coisas. Lido muito bem com a casa. Não me custa arrumar, varrer e aspirar.

- Gosta de receber amigos?

- Sim, especialmente agora, no Inverno. Tenho lareira e ficamos entre amigos. Adoro. Sou um bocado caseiro, especialmente com este tempo. Prefiro estar em casa do que ir a uma discoteca.

- Se não fosse actor, o que seria?

- Já trabalhei nas obras e tirei um curso profissional na área da construção civil. O mais certo era trabalhar nisso.

INTIMIDADES

- Quem convidaria para um jantar a dois?

- A actriz Eunice Muñoz, é uma mulher interessantíssima e que me ia ensinar muito.

- Quem é para si a mulher mais sexy?

- A minha mãe.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Não suporto uma mulher que seja mentirosa.

- Qual é o seu maior vício?

- Neste momento, é ir ao ginásio.

- Qual foi o último livro que leu?

- ‘Caminhando pelo Céu’, de Jessica Maxwell. É maravilhoso.

- O filme da sua vida?

- ‘Notting Hill’.

- Cidade preferida?

- Paris, devido ao romantismo.

- Um desejo?

- Ter muito sucesso no meu trabalho.

- Complete. A minha vida é...

- A minha vida não podia ser melhor. Tenho tudo o que gosto à minha volta.

PERFIL

Nuno Janeiro tem 34 anos e estreou-se em televisão em 2006, com a série ‘Morangos com Açúcar’, da TVI. Seguiram-se as novelas ‘Fascínios’, ‘Flor do Mar’ e ‘Mar de Paixão’, todas na TVI. Recentemente participação em ‘A Família Mata’ e ‘Laços de Sangue’, da SIC.



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