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Patrícia Tavares: “Sinto-me muito amada”Confissões: 15.10 - 10h Por: Sofia Martins Santos

Rodeada de afectos e a viver uma fase feliz a nível profissional, Patrícia Tavares garante ser uma mulher de grandes amores. Apesar de admitir não procurar o amor, a actriz revela que sente vontade de voltar a ser mãe.

- Faz parte do elenco de ‘Remédio Santo’ (TVI). Qual o balanço da sua participação?

- O balanço não podia ser mais positivo. A novela tem uma história fora do comum e foge de tudo ao que estamos habituados, porque mistura o oculto e a tragédia com uma grande dose de humor. Percebe-se que é do agrado do público, e acho que isso é tudo o que se pode pedir quando se está envolvido num projecto.

- Passa muito tempo a gravar em Viseu. Como consegue fazer a gestão da sua vida pessoal com a profissional no meio de tantas viagens?

- Sou das poucas actrizes que prefere não ficar lá a dormir. Gosto muito da cidade, acho que é muito bonita, limpa e arranjada, mas saudades de casa e da minha filha fazem com que, sempre que posso, vá e venha no mesmo dia.

- Então é raro ficar?

- Sim, acontece apenas quando é mesmo impossível vir dormir a casa.

- Como tem sido o ritmo das gravações?

- Depende das alturas, mas por vezes passamos uma semana a gravar em Lisboa e outra a gravar em Viseu. De qualquer forma, não posso dizer que esteja a ser muito intenso para mim, porque ainda não fui assim tanto a Viseu quanto isso. De qualquer modo, são muitos quilómetros, mas quem corre por gosto não cansa.

- Com quem fica a Carolina [filha, de nove anos] quando tem de viajar?

- Fica com alguém da família. Por vezes com o pai ou com os avós. Como moramos todos perto uns dos outros, ela acaba por estar sempre aconchegada. Acredito que entende estas coisas, e é uma rapariga feliz.

- Já disse que a sua filha é a sua melhor amiga. Custa-lhe estar fora quando não consegue regressar de Viseu no mesmo dia?

- Ela já tem uma noção quase perfeita do que é a vida de adulto. Sabe que este é o meu trabalho e que preciso de trabalhar. Nunca foi dramático para ela não poder ficar comigo. Não sinto essa angústia, porque sei que ela consegue entender perfeitamente as coisas. Nesse aspecto, sinto-me muito abençoada.

- Disse que mudou depois de ter sido mãe. As transformações continuam a acontecer?

- Continuam, apesar de ser muito difícil verbalizar o que tem mudado. Acho que uma das principais mudanças é que o centro do Mundo deixou de ser o meu umbigo. Tudo o que está relacionado com a minha filha faz-me ter uma perspectiva diferente da vida e do que eu quero. Ganha-se ansiedades com medo de que as coisas não corram bem, mas ganha-se também muita tranquilidade face à vida. Existe uma sensação de continuidade que é extraordinária.

- Como se descreve enquanto mãe?

- Sou muito protectora, mas também sei deixar a Carolina viver, ter as experiências dela, crescer. Nunca a proibi de nada, apesar de ficar muito atenta para estar ao lado dela se alguma coisa correr mal. O que nos torna diferentes dos outros são as nossas experiências e, por isso, não vale a pena castrar as vivências dela. Cada um vive e experimenta as coisas da sua maneira.

- Deixa que seja livre de fazer as escolhas dela?

- Sim. Ela, com nove anos, vive coisas que daqui a uns anos não farão sentido, mas é a isso que se chama evolução. Todos nós vivemos a tentar várias coisas e, por isso, eu deixo-a escolher as coisas dela.

- Houve algum momento em que tenha ficado admirada com a autonomia dela?

- Sim, quando ela decidiu que ia ser baptizada. Ela entrou em casa e disse-me que já tinha decidido que ia ser baptizada. Na altura já sabia a data do baptismo e o dia em que eu tinha de ir à reunião.

- Como é que a Patrícia reagiu?

- Lá estava eu mais uma vez para a apoiar. Fiquei muito orgulhosa, e achei que foi uma boa decisão da parte dela.

- É católica?

- Sou, apesar de não entender todas as regras ligadas ao Catolicismo. A minha educação é católica, e foi bom saber que a Carolina quis seguir esse caminho por vontade própria.

- O facto de dar espaço à Carolina tem a ver com a forma como foi criada?

- Sim, claro. Nós somos um reflexo de tudo o que nos rodeia, e eu fui muito bem ensinada. É evidente que aquilo que eu sou com a minha filha tem muito do que a minha mãe e o meu pai foram comigo.

- Acha que a Carolina sente o peso de ser filha de uma figura pública?

- Pelo menos até agora não acredito que tenha sentido. Acho que ela tem muito orgulho em mim e no meu trabalho, e isso faz-me sentir mesmo muito bem. É bom sentir que não somos só nós que ficamos orgulhosos pelos nossos filhos, eles também sentem orgulho de quem somos. Viver é mesmo isso, é sentir a experiência de dar e receber.

- A representação sempre foi um sonho na sua vida?

- Sim, desde que me lembro que tinha o sonho de ser actriz. Há coisas na vida que não se explicam. Há uma ligação engraçada à representação, que vem de criança: os meus pais penaram imenso porque eu não gostava de comer, e é engraçado que se me dissessem que me traziam ao Jardim da Estrela para ver a estátua do actor Taborda eu comia.

- Como reagiram os seus pais ao seu desejo de ser actriz?

- Os meus pais sempre me acompanharam nos sonhos. Acho que eles perceberam desde cedo que a representação era mesmo o meu desejo.

- Foi difícil dar os primeiros passos na área?

- Houve uma altura em que ouvi respostas positivas, mas também aconteceu ouvir algumas negativas. Claro que o ‘não’ é sempre muito mais doloroso e difícil de gerir, porque nós queremos que as coisas aconteçam rápido na nossa vida. Quando estava a pensar em deixar de parte o sonho de ser actriz, fui chamada para fazer a ‘Roseira Brava’ [1996], e desde então consegui manter-me.

- Como se sentiu na altura?

- Fiquei muito ansiosa. Ainda hoje fico. Quando percebo qual é o projecto e quais vão ser as minhas responsabilidades, começo logo a ficar nervosa. Mas eu acho que é muito bom, e eu gosto de sentir esse medo de falhar porque me faz querer ser melhor.

- A ansiedade também é uma forma de ver que a paixão pela representação continua mais viva do que nunca?

- Sim, cada vez sinto mais que o tempo não tem apagado a paixão que tenho por representar, muito pelo contrário.

- Vê-se a fazer outra coisa?

- Acho que temos a capacidade de nos reinventarmos e, por isso, não me acho incapaz de fazer outra coisa. Mas, sem dúvida que o que faço é o que realmente sinto, que é a minha grande paixão.

- Considera-se uma pessoa fácil de afectos ou tem dificuldade em deixar que as pessoas se aproximem de si?

- Eu tenho uma máxima: acho que o amor nos faz andar para a frente sem medo, e acho que o medo, quando existe, nos paralisa. Eu sou de fácil trato. Claro que tenho os meus receios, mas acho que não podemos esperar receber se não estivermos dispostos a dar. Eu nisso ainda sou uma romântica. Acredito nas pessoas e sou generosa em termos de afectos.

- Como está de amores?

- Na minha vida, amor não me falta. Da minha vida pessoal não falo, mas posso dizer que me sinto muito amada. Tenho o amor dos meus pais, do pai da minha filha, dos meus amigos, das pessoas que trabalham comigo e, principalmente, da minha filha. Além disso, o amor calha-nos, e, por isso, não ando à procura. Quando acontecer, acontece.

- Sente saudade de se apaixonar?

- Não sou uma mulher de paixões, sou uma mulher de grandes amores. As minhas relações sempre foram longas, e acho sempre que se não for para ser igual ou melhor também não vale a pena. Acredito que para pior antes assim.

- Alguma vez pensou em ter mais filhos?

- Eu penso sempre em ter mais filhos. Cheguei à conclusão de que não vale a pena dizer que se não for mãe até uma determinada idade não sou mais, porque nunca se sabe o que a vida nos reserva. A natureza tem o seu curso, e se acontecer ser mãe é maravilhoso. Não é um desejo, mas se a vida me der isso vai ser com muito gosto.

- É uma mulher de desafios?

- Sim, mesmo muito, porque gosto de me sentir à prova. Acho que os desafios me fazem crescer muito. Pode custar, e muitas vezes podemos duvidar das nossas capacidades, mas é assim que nós crescemos. Acho que os desafios são bons, quer quando chegamos onde era suposto, quer quando aprendemos apenas qual é a sensação e quais são as consequências de não termos seguido o melhor caminho.

- Faz questão de viver as coisas intensamente?

- Só temos consciência do que vivemos no próprio momento, por isso faço questão de sentir a emoção. Gosto de sentir que estou a viver as coisas e que consigo arriscar.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Convidava a Julia Roberts, porque gostava de conhecê-la para além da vida profissional. Ela é uma referência para mim.

- Quem é, para si, o homem mais sexy do Mundo?

- Não tenho uma resposta concreta, porque depende da altura do ano.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Não há nada que não suporte. Mas não gosto de mãos feias, de dentes mal cuidados, e odores estranhos também dispenso.

- Qual é o seu maior vício?

- Fumar não é o meu maior vício mas é o mais inadequado.

- Qual foi o último livro que leu?

- Não me lembro do nome.

- O filme da sua vida?

- Tenho vários, mas gosto muito do meu. Posso dizer que vivo um bom filme.

- Cidade preferida?

- Lisboa, porque nasci aqui. Adoro a sensação de ter viajado e sentir que estou a chegar a Lisboa, a casa. Lisboa é a melhor cidade do Mundo, sem dúvida nenhuma.

- Um desejo?

- Ser feliz. É um desejo banal, mas é mesmo isso que quero. É o que todos nós queremos.

- Complete. A minha vida é...

- Aquilo que eu faço dela, sem dúvida.

PERFIL

Patrícia Tavares nasceu a 6 de Novembro de 1977, em Lisboa. Patrícia começou desde cedo a perseguir o sonho de representar e, em 1996, conseguiu o seu primeiro papel, na novela ‘Roseira Brava’ (RTP1). Actualmente, faz parte do elenco principal da novela ‘Remédio Santo’ (TVI).



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