Pedro Caeiro: "Prefiro rir do que me faz chorar"Confissões:
24.12 - 10h
Por: Sofia Rêgo
Pedro Caeiro gosta de cozinhar e diz que o faz bem. Adora ler, viajar e já se consegue ver na TV. ‘Sebastião’ em ‘Remédio Santo’, revela que se sente uma visita em casa dos pais, de onde saiu aos 21 anos para fazer os ‘Morangos’.
- Acha-se um sedutor? Sim, talvez porque gosto de me dar com pessoas e sou uma pessoa bem-disposta. Gosto de rir. É um sedutor como o ‘Sebastião’ que interpreta em ‘Remédio Santo’?
- Penso que sim. A relação que ele tem com a mãe é que não é de todo parecida com a relação que eu tenho com os meus pais.
- O Pedro tem uma relação mais saudável?
- Muito mais e emancipei-me muito cedo, com 21 anos [actor tem 26 anos]...
- Quando começou a trabalhar?
- Sim. Foi quando comecei a trabalhar que saí de casa. Tive de sair e quis sair. Porque comecei a fazer os ‘Morangos com Açúcar’ e era complicado morar em Sintra com aquela intensidade de trabalho.
- Foi viver sozinho?
- Fui. Foi uma coisa que quis. Eu gosto muito de ter a minha privacidade.
- É filho único?
- Não, tenho dois irmãos mais novos. O que tem 21 anos acha, num tom de brincadeira, que eu sou o filho prodígio. O mais novo tem 11 anos e tinha apenas seis quando saí de casa.
- Os seus pais viram com bons olhos a sua saída de casa?
- Foi pacífico, mas para o meu pai foi um bocado mais difícil, porque ele era mais apegado, tem mais aquela noção de família. Hoje até é estranho estar lá em casa, parece que não faço parte do espaço deles.
- Sente isso?
- Como ganhei a minha independência muito cedo... E já não tenho lá o meu quarto.
- Sente-se uma visita em casa dos seus pais?
- Sinto. Havia o meu espaço dentro de casa, mas quando saí esse espaço diluiu-se. Então, quando regresso, quando vou lá, o que havia antigamente, o sentir-me parte da casa, já não é assim, falta ali qualquer coisa.
- E isso faz-lhe impressão?
- Acho que é uma coisa normal quando se sai de casa dos pais.
- O Pedro é um optimista?
- Sou. Tento ver sempre o lado bom das coisas. E tento encontrar. Às vezes prefiro rir do que me faz chorar.
- E a fama? Ser conhecido é como esperava?
- Mais ou menos. Às vezes as pessoas falam de coisas boas, outras vezes de coisas más. E às vezes as pessoas não têm o discernimento para perceber aquilo que dizem...
- Pode magoar?!
- É que nós somos uma pessoa. Mas eu tento encarar isso sempre como não sendo por mal.
- Os ‘Morangos com Açúcar’ foram a sua rampa de lançamento na televisão?
- Sim, na televisão foram.
- Mas foi na ‘Flor do Mar’ [telenovela da TVI] que brilhou?
- Sim, e foi o que me deu mais gozo fazer. Deu-me mais trabalho a construir e em todas as cenas eu tentava perceber se aquilo que fazia era credível. Eu revi-me naquele trabalho.
- Para interpretar uma personagem põe-se no lugar dela, pensa em como reagiria se fosse ela?
- Penso sempre em mim, porque sou eu que estou a fazer aquela personagem, mas tento ver sempre se a personagem faz sentido e se o que ela faz é credível. Todos os actores fazem isso.
- Veste a personagem?
- Sim. E o ‘Sebastião’ [‘Remédio Santo’] é um grande desafio.
- Pode dizer-se que ele tem uma dupla personalidade?
- Pode, se olharmos para a relação que ele tem com a mãe e para a relação que ele tem com as outras pessoas. Esta personagem é um desafio muito grande, porque toda a novela é criada num universo cómico, humorístico.
- É mais difícil fazer rir do que fazer chorar?
- Eu acho que está ela por ela. Fazer chorar tem a sua exigência, temos de nos levar muito a sério para não cairmos numa coisa lamechas. E a fazer coisas cómicas também podemos cair no ridículo.
- Gosta de fazer televisão?
- Gosto, mas prefiro o teatro.
- E contracenar com Eunice Muñoz em ‘O Comboio da Madrugada’ marcou-o?
- Marcou. É uma peça muito difícil, mas trabalhar com a Eunice... É um ícone meu, como acho que é de toda a gente.
- Dizem que é fácil trabalhar com ela.
- É fácil, mas ela é muito exigente com ela e com os outros. Se não formos exigentes, as coisas não são fáceis. Mas eu sempre tive essa coisa de ser perfeccionista e de ser exigente com o meu trabalho. De não estar contente com nada. Mas eu não estava à espera de conhecer uma pessoa tão fácil fora do palco.
- O Pedro fez-se actor porque quis?
- Aconteceu. Estava no 9º ano e surgiu a hipótese de ir para o Chapitô [espaço de artes e espectáculo, em Lisboa]. ‘Gostava de ser actor’ nunca foi uma coisa que eu dissesse em miúdo. Depois fui para a Escola Profissional de Teatro de Cascais e só passados 15 dias é que percebi que era mesmo esta a área que queria.
- Então foi para o teatro porque não sabia o que queria fazer?
- É verdade. Eu nunca quis ser nada de especial. Quando era miúdo desenhava bem, mas...
- Nunca desejou uma profissão?
- Talvez arquitecto. Mas depois, no 9º ano, pensei que não era isso que queria.
- E a sua opção foi bem aceite pela família?
- Foi. Nesse aspecto, a minha família sempre me apoiou. Às vezes até decido fazer coisas que eles podem não concordar mas dizem-me que sim porque confiam que as coisas vão correr bem e, até agora, têm corrido.
- Tem fãs?
- Acho que sim. Tento ser simpático e acho bom sermos reconhecidos pelo nosso trabalho.
- Pelo trabalho ou pelos olhos azuis?
- [risos]. São mais as vezes que me reconhecem pelo meu trabalho. Mas há de tudo.
- Foi nos ‘Morangos com Açúcar’ que conheceu a Joana de Verona, a sua namorada?
- Foi. Namoramos há quatro anos. É o amor...
- Vivem juntos?
- Não. Vivemos em casas separadas. E sermos actores ajuda numa relação, espero eu... Acredito que sim.
- É actor, mas gostava de experimentar outras áreas?
- Gostava de tirar um mestrado em teatro, encenação... Acho que hoje em dia já não há a distinção entre actores, encenadores, realizadores... Tenho a ambição de fazer outras coisas. É óbvio que o meu futuro passa também por essas coisas. Tudo o que tem a ver com este meio fascina-me.
- E os tempos livres, são ocupados com quê?
- Gosto de estar em casa a ler, leio muito teatro, coisas sobre autores, bons romances. E gosto de ir ao cinema. Gosto de ver coisas mais antigas e gosto também de ver coisas infantis com o meu irmão mais novo.
- Sabe cozinhar?
- Sei e não aprendi por obrigação. Sempre achei que ia cozinhar bem.
- E cozinha bem?
- Acho que sim e a Joana gosta, mas ela não tem escolha, porque não cozinha bem [risos].
- E cozinha o quê?
- Cuscuz de peixe. Eu gosto mais de peixe. Não como muita carne, é muito pesada.
- E gosta de se ver na televisão?
- Já me habituei. No início foi estranho ouvir a minha voz. Mas gosto de me ver, se não gostasse não tinha esta profissão. Mas, obviamente, gosto mais de ver as outras pessoas. Em relação a mim, o que observo não corresponde àquilo que imaginei. Mas o feedback que recebo dos outros é bom.
- Tem amigos de infância?
- Tenho alguns. Dois ou três. Eu não tenho muitos amigos – amigos de infância e amigos que fiz nesta área.
- Mas a sua profissão é muito competitiva?!
- É verdade. Mas há pessoas que dizem que seriam incapazes de ter uma relação com outro actor ou actriz e isso, para mim, não faz sentido. Eu até me dou mais com pessoas do meu meio, porque trabalho com elas e assim é mais fácil criar amizades com elas.
- Mas é um meio difícil?
- Não acho. A Joana esteve no Brasil e contou-me que lá é muito pior do que aqui. Lá são ‘sete cães a um osso’.
- Nunca tentaram ‘passar-lhe a perna’?
- Eu tento sempre ver as coisas pelo lado positivo, mas acho que em todo lado há pessoas que querem passar por cima das outras. Mas eu acho que consigo ler bem as pessoas.
- E filhos, gostava de ter?
- Gostava. Gosto de crianças e acho que daria um bom pai.
- Mas acha que a profissão atrapalha esse desejo?
- A profissão não é fácil, podia ser mais estável. Mas acho que isso não é desculpa. Penso que conseguimos criar a nossa estabilidade. Ficar sem trabalho... os outros também podem ficar sem trabalho.
- Como é que gere o seu dinheiro? Economiza?
- Tenho alguns cuidados, mas sou gastador. Não gasto dinheiro em coisas fúteis, como roupa. Gasto dinheiro em livros, DVD, viagens... mas gosto muito de estar cá. Eu era incapaz de viver noutro país.
- Lisboa é a sua cidade?
- É. Eu era capaz de ir lá fora para participar numa coisa qualquer, para Londres, Berlim... não me identifico muito com a América. Agora para viver... só cá.
INTIMIDADES
- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
- A Marilyn Monroe.
- Quem é para si a mulher mais sexy?
- Penélope Cruz.
- O que não suporta no sexo oposto?
- Escolher só uma coisa é difícil. Não suporto a atenção que elas têm ao pormenor.
- Qual o seu maior vício?
- Jogar computador.
- Qual foi o último livro que leu?
- ‘A Morte de Carlos Gardel’.
- O filme da sua vida.
- ‘The Thin Red Line’ [‘A Barreira Invisível’].
- Cidade preferida?
- Berlim.
- Um desejo?
- Ir a Cabo Verde.
- Complete. A minha vida é...
- É o que é.
PERFIL
Pedro Caeiro, de 26 anos, nasceu no dia 14 de Junho de 1985, em Lisboa. Formou-se na Escola Profissional de Teatro de Cascais e estreou-se na televisão em ‘Morangos com Açúcar’. Participou em várias telenovelas, como ‘Fascínios’ e ‘Flor do Mar’, e integra agora o elenco principal de ‘Remédio Santo’, da TVI, na qual interpreta ‘Sebastião Monforte’. Prefere fazer teatro e já contracenou com Eunice Muñoz na peça de Tennessee Williams ‘O Comboio da Madrugada’, encenada por Carlos Avillez no Teatro Experimental de Cascais.