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Guano Apes: "Ainda somos os mesmos malucos e temos muito para fazer juntos" Êxito: 11.2 - 10h Por: Miguel Azevedo

O grupo toca dias 16 e 17 deste mês nos Coliseus de Lisboa e Porto. O Êxito falou com Henning Rümenapp (guitarrista) sobre a nova vida da banda.

- Como correu o último ano aos Guano Apes depois do regresso [o grupo esteve quatro anos separado] e do novo disco ‘Bel Air’? Como foi a reacção dos fãs?

- No início acho que os fãs ficaram um pouco irritados com as mudanças, mas já se habituaram. As canções de ‘Bel Air’ são bastante diferentes e isso ao início não foi bem compreendido.

- Acham que perderam fãs?

- É natural que sim, porque qualquer banda tem sempre aqueles fãs que ficam presos ao passado. Mas, sinceramente, acho que ganhámos mais fãs do que perdemos. Até há pessoas que nos dizem que não gostavam das canções antigas.

- Era fundamental para vocês mudar de estilo neste regresso?

- Sim, mas é uma mudança natural. Quando nos juntámos concordámos logo numa coisa: não queríamos fazer o mesmo que andámos a fazer durante dez anos. Durante o tempo que estivemos separados todos nos dedicámos a outros projectos e isso acabou por nos influenciar para este disco. Por isso, era natural que soasse a algo diferente.

- Mas estavam cansados de praticar aquele rock mais agressivo?

- Eu não diria cansados, mas apeteceu-nos experimentar coisas diferentes. Chegámos a uma altura em que percebemos, por exemplo, que muitas ‘guitarradas’ às vezes acabam por abafar uma canção. Por isso, este disco acaba por ser um pouco mais electrónico. As canções têm menos energia, mas respiram muito melhor.

- ‘Bel Air’ é um disco mais audível, é isso?

- Eu acho que ‘Bel Air’ tem melodias muito bonitas. Creio mesmo que estão aqui algumas das melhores canções que alguma vez fizemos. São temas muito mais dançáveis, o que é algo que nos agrada muito. Ao vivo têm resultado muito bem.

- E que tipo de relação têm agora com as canções antigas?

- Nós estamos orgulhosos com o que fizemos no passado, não nos arrependemos e, por isso, continuamos a tocar temas como ‘Open Your Eyes’, ‘Rain’ ou ‘Lords of The Boards’. Sabemos que o público está sempre à espera deles. Andámos a tocá-los durante tantos anos que agora ia parecer estranho abandoná-los.

- Quando decidiram juntar-se novamente há três anos, temeram que as coisas pudessem não resultar?

- Sim. Por isso sentámo-nos e tivemos uma longa conversa, sempre acompanhada por muffins e cafés [risos]. O que se passa é que percebemos que ainda temos muito para fazer juntos e concordámos logo numa série de coisas. Debatemos as nossas perspectivas e decidimos avançar. Depois deu-nos muito prazer voltar a tocar juntos. Sentimos a mesma energia.

- Vocês estão mais velhos. Sentem que estão pessoas mais calmas e menos explosivas em palco?

- [risos] Não. O tempo vai passando, mas acho que ainda somos os mesmos malucos. Temos as nossas famílias e aproveitamos esses momentos privados para sermos pessoas recatadas [risos]. Em palco, acho que continuamos a ser os mesmos selvagens.

- Disse que os Guano Apes partiram para este novo disco com 35 canções. Isso quer dizer que já têm um outro disco pronto a sair?

- Era bom, mas não [risos]. Na verdade, o que tínhamos eram apenas ideias que não concretizámos. Não somos daquelas bandas que guarda material.

- Como vê o futuro?

- Radioso. Estamos satisfeitos como as coisas têm corrido e em breve pensaremos num novo disco.

- Como vai ser este regresso a Portugal?

- Estamos a preparar um espectáculo que sei que vai agradar aos nossos fãs e que mistura os temas de ‘Bel Air’ com os temas antigos. Estamos ansiosos por regressar, sobretudo depois de termos sido obrigados a cancelar os espectáculos no final do ano passado.

- Por que é que cancelaram?

- Por que a Sandra teve um problema de saúde que a impossibilitou mesmo de actuar.

- Que recepção esperam ter?

- Portugal sempre foi quase uma segunda casa para nós. As memórias que temos são incríveis. O público em Portugal consegue criar sempre grandes ambientes de festas e isso é uma coisa que nos agrada muito.

- Lembra-se de algum espectáculo?

- Lembro-me de uma actuação no Festival Sudoeste que foi de loucos. Mas também guardo excelentes memórias das vezes que tocámos nos Coliseus de Lisboa e Porto.

- Dessas passagens por Portugal, deu para conhecer alguma coisa do País?

- Pois! Esta coisa de viajar em trabalho não nos dá muito tempo para ser turistas [risos]. Ainda assim, consegui visitar algumas praias, mas pouco mais.

- E música portuguesa, conhece?

- Conheço um pouco de fado. Uma vez levaram-nos a jantar a uma casa de fados, no Bairro Alto, um local muito típico, uma coisa muito cultural e fiquei deslumbrado.

- Mas o fado é bem diferente daquilo que os Guano Apes fazem?

- Sim, eu acho que não era capaz de ficar a ouvir fado o dia todo, mas é uma sonoridade incrível.



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