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Sociedade recreativa: Lado BÊxito: 18.2 - 10h Por: Fernando Sobral, Jornalista

Os singles de vinil são uma espécie praticamente extinta e, com isso, desapareceram os lados B. O CD single não substituiu esse lado secreto dos discos onde, muitas vezes, se escondiam pérolas preciosas. Foram ilhas tentadoras que desapareceram. Desapareceu assim uma via paralela para a criatividade, onde muitas vezes os músicos ousavam fórmulas de ruptura.

Tudo isso tem a ver com o novo disco dos Pet Shop Boys, ‘Format’ Duplo CD (EMI), que acolhe raridades mas também lados B dos seus preciosos singles editados entre 1996 e 2009: é o universo alternativo do grupo que fez, como poucos, uma estimulante aliança entre a pop dançável e a electrónica.

Neil Tennant e Chris Lowe, desde ‘West End Girls’, mostraram a sua veia criativa que se redescobre aqui em grandes temas como ‘Always’, ‘Between Two Islands’ e ‘I Didn’t Get Where I Am Today’ (onde surge a guitarra mágica de Johnny Marr dos Smiths). Mas, como sempre, a música dos Pet Shop Boys não se esgota no ritmo e no estilo. Há muito conteúdo sólido e sério por aqui, a começar pelo eloquente ‘We’re All Criminals Now’, inspirado pelo assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes pela polícia britânica.

O mais fascinante neste disco é a recuperação de uma memória histórica da música que hoje se perdeu na idade da música digital: o lado B, o lado lunar da pop. Quando, a propósito deste disco, fui revisitar a minha velha colecção de singles de vinil descobri preciosidades fascinantes: ‘Why?’ no lado B de ‘Ghost Town’, a grande canção tão moderna, hoje como ontem, dos Specials, ou ‘Asleep’ dos Smiths. Se em ‘Format’ encontramos um baú de preciosidades dos Pet Shop Boys, ele não é mais do que uma caverna de Ali Babá onde abrimos as janelas para um sonho que, nos anos 80, deu muito à música pop.



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