Voz negra destruída pelo vícioInternacionais:
13.2 - 17h
Por: Ana Maria Ribeiro/Rui Pedro Vieira
Eram quase quatro horas da tarde de sábado (meia-noite, hora de Lisboa) quando a polícia chegou ao quarto do hotel de Beverly Hills onde a cantora Whitney Houston jazia, inconsciente. O guarda-costas tinha acabado de a encontrar inanimada dentro da banheira, com frascos de comprimidos vazios ao lado. Os paramédicos tentaram reanimá-la durante vinte minutos, sem sucesso.
Whitney Houston, a artista que deslumbrou o Mundo em meados dos anos 80 - com a sua voz de mezzo-soprano límpida e potente, mas também com a sua beleza perfeita - morreu aos 48 anos num quatro de hotel, a poucas horas de actuar na cerimónia de entrega dos Prémios Grammy.
Em sua homenagem, o show foi realinhado de forma a integrar um tributo à voz que foi considerada "património da América".
E apesar da polícia ter declarado que as causas da morte de Whitney Houston estão "por apurar", a verdade é que o destino da cantora estava traçado há muito.
Como Michael Jackson ou Amy Winenhouse, também Whitney Houston se debatia há muito com o vício das drogas.
No seu caso, o drama começou a desenhar-se há 20 anos: depois de dois álbuns arrasadores (‘Whitney Houston', de 1985, e ‘Whitney', de 1987), já rica e famosa, a cantora decidiu tentar o cinema e rodou o controverso ‘O Guarda-Costas', de 1992.
A crítica, porém, foi-lhe adversa, o que aliado aos problemas familiares foi decisivo para a sua queda.
Cocaína e marijuana em quantidades cada vez maiores destruiram-lhe voz e deram cabo de uma carreira que tinha tudo para ser exemplar.
O seu nome está no Livro do Guiness como a artista que mais prémios ganhou: 415, entre os quais dois Emmy e seis Grammy, mas na última década Whitney Houston era apenas uma sombra do que tinha sido.
"O MEU MARIDO BOBBY ERA A MINHA DROGA"
Whitney Houston ainda namorou com a estrela de futebol americano Randall Cunningham e com o actor Eddie Murphy antes de conhecer Bobby Brown, em 1989. Ao fim de três anos de namoro, e contra a vontade da família, casaram-se e, em 1993, tiveram uma filha, Bobbi Kristina.
Whitney diz que o uso de drogas começou logo após a boda: "Eram coisas leves, mas pouco depois estávamos a consumir grandes quantidades de cocaína e de marijuana todos os dias", contou a Oprah Winfrey, em 2009.
Marcado pelas infidelidades do marido e pela violência verbal e física - Bobby Brown cuspiu-lhe na cara, e, quando ela anunciou o fim da relação, deu-lhe uma estalada - o casamento terminou em divórcio, em 2007. Começaram as curas de desintoxicação para Whitney, que admitiu em entrevista: "O meu marido Bobby era a minha droga." Depois da separação, Bobby Brown ainda tentou pedir uma pensão à mulher, mas o tribunal negou.
Já Bobbi Kristina, hoje com 18 anos, foi ontem internada após a morte da mãe, com sintomas de exaustão e histeria.