Família da primeira mulher de Paco Bandeira suspeita de homicídio Nacionais:
18.2 - 13h
Por: Márcia Bajouco
A família de Maria Fernanda, a primeira mulher de Paco Bandeira, ainda não se conformou com a tese de suicídio - e vai pedir ao tribunal a reabertura do processo e nova investigação às circunstâncias da morte.
"Estamos a lutar contra o tempo, já que o processo prescreve no dia 10 de Março. Já pedimos a reabertura do processo e estamos na expectativa de que o tribunal se pronuncie antes dessa data", diz ao CM Francisco Castelo, irmão de Maria Fernanda.
Passados quase 16 anos sobre a morte de Maria Fernanda, os irmãos Filomena e Francisco continuam revoltados por "não ter sido dado o devido seguimento ao caso". Filomena recorda ao CM o dia em que a irmã terá cometido suicídio, na propriedade que tinha com Paco Bandeira, em Sintra. Tinha 51 anos.
"Às cinco da manhã, recebemos a notícia de que a minha irmã tinha falecido e arrancámos de Elvas para Lisboa. Quando chegámos, por volta da hora de almoço, ele [o cantor] estava no quarto e já estava tudo limpo. Os tapetes estavam de molho dentro do tanque. O Paco tinha mandado a empregada lavar tudo. Os tapetes, a cama, a roupa dele... tudo. Ele chorava muito e dizia que não sabia como tinha acontecido e que a minha irmã dizia que já não aguentava mais."
Filomena Castelo ficou ainda mais indignada com o número de munições encontradas na arma com que a então mulher do artista se terá suicidado. "A arma era dele e levava seis balas. Depois daquela desgraça só estavam lá três. Quem quer suicidar-se não precisa de usar três balas... basta uma."
Para a família de Maria Fernanda, a morte tornou-se ainda mais misteriosa no momento de reconhecer o corpo. "Quando fomos ao Instituto de Medicina Legal as roupas da minha irmã estavam num saco preto e não nos deixaram trazer. Disseram-nos que iam queimar tudo, que eram só más recordações", lembra Filomena.
Estranha também o apoio das duas filhas de Paco Bandeira e de Maria Fernanda. "Ele sempre disse que a São era uma bêbeda e uma drogada. Nem ela nem a Ana Paula falam do que se passou naquela noite em que a mãe morreu, porque temem represálias. Elas bem se lembram que levaram muita pancada do pai."
"DEVIA TER FALADO NA ALTURA E ACOBARDEI-ME"
Para Filomena, a irmã "não se matou", e a chave do mistério é a sobrinha Conceição. "O que motivou a discussão do Paco com a minha irmã, naquele dia, foi um cheque de 100 contos [500 euros] que a São passou. Tirou-o à minha irmã. Ele cancelou as contas da Fernanda e tudo. Ela não tinha dinheiro para nada. E, naquela noite, a minha irmã ligou à São a dizer-lhe: ‘Foge que o teu pai vai-te matar'. Eu ouvi isto no gravador do telefone dela", lembra.
Agora não tem dúvidas de que a sobrinha a pode ajudar a deslindar a morte da irmã. "Ela mandou-me uma mensagem a dizer: "Tia, entendo o que sentes em relação ao meu pai. A verdadeira culpada sou eu. Devia ter falado na altura e acobardei-me. Fui fraca." Filomena mostrou ao Correio da Manhã a mensagem que a sobrinha lhe enviou para o telemóvel. Está revoltada pelo silêncio de Conceição até ao momento.
"ELA DISSE-ME QUE SABIA QUE A MÃE NÃO SE TINHA SUICIDADO"
Maria Roseta acredita que Conceição, filha mais velha do cantor, sabe mais sobre a morte da mãe. "Ela disse-me no monte que tinha a certeza de que não se tinha suicidado", disse anteontem a ex-companheira de Paco Bandeira ao colectivo de juízes que está a julgar o cantor, no Tribunal de Oeiras.
No início do processo, Paco ainda contava com o apoio da então namorada, até que Marisa Almeida, com quem esteve um ano, revelou ao CM ter sido vítima de violência por parte do cantor.
PACO BANDEIRA EM SILÊNCIO
Paco Bandeira fez saber em comunicado enviado às redacções que não falará nem comentará "o que outros digam ou venham a dizer sobre o referido processo, até que o mesmo tenha transitado em julgado".